Silent Hill Townfall

Silent Hill Townfall: a velha atmosfera, mas em primeira pessoa

Silent Hill: Townfall é o mais novo título de horror psicológico da Konami, com lançamento agendado para 2026 no PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC (via Steam e Epic Games Store). Desenvolvido pela Screen Burn Interactive em parceria com a Annapurna Interactive, o jogo promete renovar a franquia. 

Como vimos no trailer exibido durante o State of Play do dia 12 de fevereiro, a trama nos coloca na pele de um protagonista atormentado em uma vila costeira muito distante da América, e também da parte oriental do planeta, trazendo um frescor sombrio para a série.

A ambientação e nevoeiro em St. Amelia

Para quem está acostumado com as ruas abandonadas da clássica cidade americana, a mudança de cenário pode causar um estranhamento inicial. Contudo, essa quebra de expectativa é totalmente proposital. A trama do jogo nos leva para o ano de 1996, diretamente para a remota ilha de St. Amelia, na Escócia.

Assumimos o controle de Simon Ordell. Ele é um homem que chega ao local com a intenção de “consertar as coisas”, apenas para se ver encurralado por manifestações perturbadoras e um clima de isolamento absoluto. 

Aqui, o terror se alimenta da hostilidade de uma comunidade castigada pelo tempo, isolada pelo mar e afogada por segredos obscuros.

A câmera em primeira pessoa e o CRTV

Se você, assim como eu, passou madrugadas tensas explorando o primeiro jogo no PS1, sabe que a perspectiva dita o ritmo do medo. 

Em Townfall, a desenvolvedora assumiu o risco e optou pela primeira pessoa. De certo modo, essa escolha nos priva da segurança de observar o ambiente ao redor do personagem. Além disso, confesso que não é exatamente o que espero para um Silent Hill, mas é o que há no momento.

Consequentemente, a sensação de claustrofobia aumenta drasticamente quando não podemos ver o que está espreitando logo atrás de nós, remetendo ao desconforto genial de clássicos e experimentos como P.T..

Outro detalhe interessante que foi melhor detalhada na Silent Hill Transmission foi o CRTV

O clássico rádio que chiava com a aproximação de monstros evoluiu para uma televisão de bolso retrô, funcionando como nossa principal ferramenta de sobrevivência. Ele capta frequências de áudio, exibe imagens distorcidas e revela a posição de ameaças no ambiente. 

Dessa forma, a interface do jogo se torna totalmente integrada a trama. Além disso, o HUD desaparece da tela, o que sempre considero um bom elemento para a imersão dos jogos.

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Conforto e sobrevivência na gameplay

Sobreviver nas vielas cinzentas de St. Amelia exigirá muito mais do que reflexos rápidos. O combate existe, claro, e teremos à disposição armas tradicionais, como pedaços de cano e pistolas. 

No entanto, a principal abordagem da jogabilidade é focada na furtividade e na evasão. Utilizar o CRTV para monitorar ameaças pelo som e aproveitar o sistema de espiar pelos cantos será fundamental para evitar confrontos diretos. 

A ideia central é nos manter constantemente vulneráveis, resgatando a verdadeira essência do survival horror. O que, de certo modo, acho bastante viável, tendo em vista que o Simon não aparenta ser um cara habilidoso, padrão militar que manja de tudo.

Silent Hill Townfall vs. Silent Hill f: duas faces de uma franquia consolidada

A atual fase da franquia nos presenteia com visões criativas fascinantes e bastante distintas. No ano passado, em 2025, pudemos experimentar toda a carga emocional de Silent Hill f

O título nos levou para o Japão dos anos 60, entregando um horror focado no folclore oriental, com aquela estética incômoda de flores e fungos consumindo o cenário. Foi uma experiência belíssima, porém perturbadora e diferente do que estamos acostumados em silent hill.

Por outro lado, Townfall nos entrega um terror ocidental, industrial e muito mais frio. A ilha escocesa de St. Amelia transpira um isolamento úmido característico da década de 90. Diferente da tragédia orgânica e expansiva da obra japonesa, a jornada de Simon Ordell foca em um pesadelo íntimo e contido.

Além da ambientação, a jogabilidade também marca uma divisão clara. A aventura asiática utilizou uma perspectiva em terceira pessoa para nos guiar pelos horrores de sua maldição. Já o novo projeto na Escócia abraça sem medo a primeira pessoa. Dessa forma, a claustrofobia se torna imediata. 

O uso engenhoso do CRTV substitui o misticismo do jogo anterior por uma tecnologia palpável, suja e opressiva. São propostas que expandem o universo da Konami, provando que o nevoeiro ainda tem muita força para se reinventar.

Afinal, o que esperar?

Acompanhar o renascimento dessa série é como abrir uma cápsula do tempo. A Konami parece ter entendido que, assim como na saudosa era do PS2, a experimentação corajosa é o verdadeiro motor que mantém o gênero vivo.

Com esse trailer, senti toda a “vibe” de Silent Hill. Tanto em questões atmosféricas, quanto em conflitos internos do personagem. O único lado ruim ficou mesmo em questão da câmera, que não vejo com tanta empolgação. Apesar disso, pretendo dar uma chance para o jogo. Me convenceu mais do que o Silent Hill f.

Agora, nos resta contar os dias para desvendar os segredos imperdoáveis dessa ilha.

E você, o que sentiu com esse novo jogo. Acha que pode ser uma adição interessante para a franquia, ou o fato de ser em primeira pessoa tirou o possível hype que existia? Deixe nos comentários.

Créditos de imagens: Konami

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